Prof. Dr. Darcy Roberto
Lima, MD, PhD
Uma criança é a opinião de Deus de que o mundo deve
prosseguir Toda criança é uma semente que se tiver boa saúde
e receber uma boa educação, formará uma planta que jamais
será destruída ou extirpada. Por isto deve ser assegurado
pelos pais, sociedade e governos pelo menos dois direitos
básicos a toda a criança: saúde e educação. A escola ao
longo dos tempos vem se modificando. Na Grécia Antiga
viveram alguns dos mais famosos cientistas, sábios e
professores de nossa história que deixaram contribuições
permanentes e importantes para os tempos modernos. Dentre os
gregos que podiam pagar pelos estudos, os meninos
freqüentavam a escola enquanto que as meninas aprendiam em
casa. E os cidadãos comuns apreciavam muito as peças e as
histórias escritas pelos seus poetas famosos. Cada estudante
aprendia a ler, escrever, contar usando o ábaco, cantar e
declamar poesias, memorizar os versos e fazer ginástica que
incluía correr, pular, lutar e jogar dardo. Os professores
gregos almejavam formar um indivíduo equilibrado com uma
mente sã e um corpo sadio. O ideal de educação dos jovens
gregos, embora permanecesse como meta para cada professor
através dos tempos, infelizmente vem decaindo.
Na atualidade cada mestre atua da maneira que os pais na
formação de cada criança para a obtenção de um indivíduo
completo. Por isto são os professores que criam a verdadeira
valorização da infância, pois caso uma criança não possua
família, ela crescerá sob o cuidados dos educadores em
cheches e orfanatos. Mas a grande maioria das crianças vive
e se desenvolve entre o lar e a escola, o principal
responsável pelo seu desenvolvimento intelectual e
emocional. Nos tempos modernos a solidez e a estrutura das
famílias diminuiu com os divórcios, separações e mães
solteiras, sendo a escola muitas vezes o abrigo e o suporte
sólido e receptivo destas crianças. As professoras cada vez
mais assumem o papel de segunda ou mesmo única mãe, pois
além de educadoras não só preocupadas com os conteúdos, elas
também atuam na formação e orientação global das crianças. A
professora primária é a lapidadora, ela faz o elo entre a
família e a sociedade e é nesta ligação que está o primeiro
ensaio de vida adulta da criança. Com esta função mais
abrangente a preocupação da mestra vai além do apenas
"ensinar/aprender", mas o "para que" aprender. Ela reforça
os valores morais, sociais e intelectuais. Também é capaz de
detectar melhor do que a mãe, pela observação aguçada, se
alguma coisa não vai bem, como a falta de atenção,
concentração e sinais de depressão através do comportamento
e convívio escolar.
Felizmente a maioria das crianças do mundo possui na época
mais crítica de suas vidas - a infância - o apoio e o
convívio com dois tipos de mulheres que são as mais
importantes de qualquer sociedade: a mãe e a professora.
Pela importância de cada mãe e cada professora elas deveriam
receber um reconhecimento muito especial, além de um
maravilhoso salário. O ensino pode ser dispendioso, mas a
ignorância é muito mais cara. Cabe às mães e às professoras
zelarem pela saúde e bem estar das crianças sob seus
cuidados, particularmente numa época onde a depressão e o
consumo de drogas é uma ameaça global. Mães e professoras,
conscientizadas e motivadas para lutarem contra estes
problemas, podem atuar de forma definitiva nesta batalha
onde a medicina já quase está se dando por vencida.
Enquanto que o preconceito contra o café faz com que as
crianças tomem pouco ou mesmo não tomem café diariamente,
puro ou com leite, o mesmo não acontece com outras bebidas.
Hoje tomar refrigerantes ou sucos artificiais para saciar a
sede é um hábito diário generalizado, em lugar de um simples
copo de água. Estudos realizados por médicos ingleses
detectaram que o consumo exagerado de refrigerantes por
adolescentes prejudica a dentição e provocar problemas de
comportamento além de afetar o crescimento e ajudar no
aparecimento da obesidade. Em Los Angeles, o consumo de
refrigerantes foi proibido em quase mil escolas, onde
estudam quase um milhão de crianças e adolescentes, sendo
permitido apenas o consumo de produtos naturais, como sucos
e leite. Mas ao mesmo tempo, as crianças são erroneamente
educadas de que o consumo de café pode ser prejudicial para
a saúde, algo completamente errado e mesmo prejudicial a
saúde infantil. Mas ao mesmo tempo as crianças são
erroneamente educadas de que o consumo de café com leite
pode ser prejudicial à saúde.
No passado era um hábito comum na merenda escolar o consumo
de café com leite e pão com manteiga. Na atualidade
substâncias artificiais como refrigerantes, sucos,
isotônicos, biscoitos, balas, chicletes e derivados
industrializados de amido, dentre inúmeros outros
substituíram lentamente a saudável dupla. Pesquisas mostram
que a dose ideal de café com leite a ser consumida
diariamente é feita por uma minoria de crianças. Mas o
consumo de álcool, tabaco e drogas ilegais aumenta entre
crianças e jovens de todo o mundo, sendo que muitas vezes
estes postos de venda se encontram nas esquinas e portas de
suas próprias casas e escolas. O governo americano -
NATIONAL DRUG SURVEY RESULTS RELEASED WITH NEW YOUTH PUBLIC
EDUCATION MATERIALS - detectou que 1 em cada 4 americanos é
diretamente afetado pelo problema do alcoolismo ou
dependência a drogas e que 6 % dos jovens acima de 12 anos
usam drogas. Pois o consumo diário e moderado de café é uma
das mais eficazes e baratas armas para a prevenção do
consumo de drogas entre os jovens.
Crianças também apresentam depressão, embora de forma menos
freqüente e mais mascarada do que os adultos. Estas,
deprimidas desde a infância serão adultos ainda mais
deprimidos. A depressão na criança pode se manifestar de
formas variadas, como sintomas asmáticos, extrema
irritabilidade, mau humor, falta de atenção, agressividade,
problemas da pele, obesidade, diarréias ou náuseas. Nesta
fase o corpo pode sofrer mais que o cérebro devido a
depressão. O fato de que o consumo regular e moderado de
café possa melhorar a atenção, concentração e memória
crianças e jovens torna quase que obrigatória a necessidade
do seu consumo na merenda em todas as escolas. O café tomado
logo na primeira hora após o despertar em casa suplementado
pela xícara de café na escola, com ou sem leite pode trazer
um grande benefício ao aprendizado e ao estado emocional das
crianças. Por isto, elas com a ajuda dos responsáveis e
interessados pela sua saúde mental e física precisam de
orientação para hábitos salutares. Cabe às mães e às
professoras conhecerem estas novas descobertas da medicina,
combaterem o preconceito contra o café da mesma forma que
lutam contra as drogas e conscientizarem todas as crianças e
jovens da importância dos ideais gregos de mens sana in
corpore sano.
A humanidade escolheu o café como bebida matinal porque ele
estimula o sistema de vigília do cérebro humano. O consumo
diário e moderado de café torna o cérebro mais atento e
capaz de suas atividades intelectuais, diminui a incidência
de apatia e depressão e estimula a memória, atenção e
concentração, melhorando a atividade intelectual normal. Os
adolescentes problemáticos são os que apresentam maior risco
para o desenvolvimento de doenças mentais e problemas como
depressão, suicídio e uso de álcool e outras drogas .O
índice de depressão e suicídio tem aumentado entre os
adolescentes nos últimos anos, variando entre 8 a 28 % dos
adolescentes. O consumo de café não apenas é saudável e
seguro para crianças, mas altamente benéfico para crianças e
jovens (6-18 anos) problemáticos, ativos e agressivas
justamente as que buscam o consumo de drogas. Por isto o
consumo de café com leite pela manhã e na merenda escolar,
com ou sem leite, não apenas é saudável, mas recomendando
para todo aqueles em idade escolar.
Hoje em dia, o café é o segundo maior mercado mundial de
produtos naturais, depois do petróleo. E o Brasil é o maior
produtor mundial de café. Mas, em contraste com toda essa
riqueza, na atualidade existem no Brasil milhões de
brasileiros vivendo com fome, desnutridos e debilitados, sem
saúde e vulneráveis a diversos tipos de doenças. E o quadro
nutricional de crianças e adolescentes vem se agravando nos
últimos anos. Em 1989 foi estimado que uma em cada três
crianças brasileiras menores de cinco anos sofria de
desnutrição, sendo que naquele ano foram gastos US$ 1,03
bilhão em programas nutricionais (Lima, 2002a). Em 1991 este
valor foi diminuído, durante o governo Collor, para US$ 364
milhões e em 1992 foram liberados US$ 391 milhões, um valor
irrisório se comparado ao US$ 1,27 bilhão gasto em 1987 e ao
US$ 1,2 bilhão gasto em 1988.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar, que tem como
meta a distribuição de uma refeição durante 200 dias ao ano
para 29 milhões de crianças de 7 a 14 anos matriculadas nas
escolas públicas, necessitando para tal de 460 mil toneladas
de alimento, recebe anualmente recursos para adquirir apenas
135 mil toneladas por ano, menos de 1/3 das necessidades
mínimas (Lima, 2002a). Para milhares de crianças brasileiras
a primeira e muitas vezes a principal refeição do dia é uma
mistura de café com farinha. Somada a força e a
perseverança, estas crianças sobrevivem saudáveis e podem
servir de exemplo para outras, ao vencerem na vida, apesar
de tudo e de todos. Mas assegurar uma boa nutrição,
principalmente a infantil é o maior compromisso social de
toda nação.
O fato de que o consumo regular e moderado de café pode
melhorar a atenção, concentração e memória de adultos e
crianças torna quase que obrigatória a necessidade de que o
café com ou sem leite faça parte da merenda escolar em todas
as escolas diurnas. O café tomado logo na primeira hora após
o despertar em casa suplementado pela xícara de café na
escola pode trazer um grande benefício a crianças,
adolescentes e jovens do Brasil e mesmo em todos os países
do mundo.
Quadro 1 - Dose ideal
de café para consumo diário
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REFERÊNCIAS:
1 - Stein,
M.A., Krasowski, M., Leventhal, B., Phillips, W., Bender,
B.C. : Behavioral and Cognitive effects of methylxanthines :
A Meta-Analysis of theophylline and caffeine. (Chicago
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- 288.
2 - Flores,
G. Flores , Andrade, F & Darcy R. Lima : Can coffee help
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Brazilian Youth Drug Study . Acta Pharmacologica Sinica
(China ), 21 (12) : 1057 - 1216, Dec 2000.
3 - Santos,
R.M.M. & Lima, D.R.A.: Aids, Drogas e os Jovens. Pediatria
Moderna, SP, 1997 , XXXIII, 4 : 169 - 176.
4 - Santos,
R.M.M. & Lima, D.R.A.: Os Jovens e as drogas. Pediatria
Moderna, SP, 1997 , XXXIII , 3 : 128 - 136.
5 - Lima,
D. R. Cafeína e Saúde. Rio de Janeiro: Record, 1989. 130 p.
6 - Lima,
D. R. Cuidado!!! O popular café e a poderosa mulher... podem
fazer bem à saúde. Petrópolis: Medikka Ed. Científica, 2001.
111 p.
7 - Lima,
D. R. Manual de Farmacologia Clínica, Terapêutica e
Toxicologia. Rio de Janeiro: Medsi Ed. Científica, 2003. 3
Volumes, 3.456 p. 8 - Lima, D. R. QI, Café, Sono e Memória.
Rio de Janeiro: ECN, 1995. 120 p.
Outros temas sobre o Café e a Saúde:
-
Café e Composição
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