Prof. Dr. Darcy Roberto
Lima, MD, PhD
A prática de exercícios tornou-se uma rotina comum e
saudável na sociedade moderna, sendo a corrida a forma mais
comum. Outras atividades como natação, ciclismo, futebol,
vôlei, basquete e esportes com raquetes (tênis, "squash")
envolve um numero enorme de participantes. Este exercício
soma-se ao gasto energético efetuado nos locais de trabalho
do ser humano, sendo menor nas sociedades sedentárias. Antes
da Revolução Industrial, o trabalho braçal humano era
responsável por 30 % da energia gasta nas fabricas e no
campo. Na atualidade, nos paises ricos e nas camadas
dominantes dos paises pobres, este gasto energético equivale
a menos de 1 %. Isto criou a forma sedentária de vida, algo
recente na história da humanidade, acostumada a uma intensa
atividade física em sua evolução. Um grande número de
doenças podem ser influenciadas pelo exercício, como asma ou
mesmo prevenidas em sua ocorrência, como problemas
cardiovasculares.
O exercício pode ser dividido em isométrico e isotônico
dependendo do tipo de atividade muscular realizada. Na
contração isométrica ocorre um aumento na tensão muscular
sem uma mudança significativa no comprimento da fibra
muscular. Nenhum trabalho externo é realizado, mas energia é
gasta de forma substancial, como no halterofilismo. Em
contraste, o exercício isotônico envolve o encurtamento das
fibras musculares com pouco aumento na tensão, como na
natação, no ciclismo ou nas corridas. A maioria dos outros
exercícios envolve elementos isotônicos e isométricos.
O exercício isométrico e o isotônico diferem
substancialmente nos seus efeitos fisiológicos. O exercício
isométrico aumenta a resistência vascular periférica de
forma generalizada, ao mesmo tempo que causa um aumento na
pressão sanguínea sistólica e diastólica com pouco aumento
no volume sistólico e no debito cardíaco. No exercício
isotônico, a resistência vascular periférica total cai, mas
a freqüência e o debito cardíaco aumentam. A pressão
sistólica aumenta significativamente, com pouca alteração da
diastólica,o que causa um discreto aumento na pressão
arterial media. O trabalho isométrico causa uma sobrecarga
de pressão ao coração, enquanto que o exercício isotônico
causa uma sobrecarga de volume. Os efeitos hemodinâmicos do
exercício isométrico dependem de sua intensidade.Diferentes
grupos musculares também causam diferentes alterações
hemodinâmicos durante o exercício.
Atividades com os membros superiores causam um maior aumento
na freqüência cardíaca e na pressão sanguínea do que
atividades com os membros inferiores, para uma mesmo consumo
de oxigênio ou idêntico trabalho realizado. O exercício
isométrico aumenta a força e a massa muscular. Atletas
competitivos podem ser bastante beneficiados pelos
exercícios isométricos. Pacientes em reabilitação devido
problemas musculoesqueléticos também podem ser beneficiados
por exercícios isométricos para aumentarem sua força
muscular, principalmente quando a imobilização articular
limita exercícios dinâmicos. Entretanto, o exercício
isométrico estático produz uma discreto condicionamento
cardiovascular e as alterações circulatórias causadas pelo
exercício isométrico podem ser prejudiciais ao paciente
cardiopata. Por outro lado, o exercício isotônico dinâmico é
mais benéfico e produz alterações cardiovasculares de
adaptação úteis em atletas e em pacientes. Por isto, a
melhor e mais saudável forma de exercício é a atividade
dinâmica isotônica.
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O exercício físico pode trazer grandes benefícios
psicológicos ao ser humano, produzindo estimulação e
relaxamento psíquico. Uma melhora do humor, da auto-estima e
da capacidade de trabalho tem sido observada em pessoas
saudáveis e em pessoas submetidas a reabilitação cardíaca.
Exercícios agudos aliviam a ansiedade e a tensão, embora a
duração seja temporária por 2 a 5 horas. A atividade física
reduz o risco de aparecimento de depressão e a incidência de
depressão em pacientes com predisposição para tal, além de
haver uma melhor capacidade de adaptação ao estresse.
Durante o exercício físico ocorrem alterações nos níveis
plasmáticos de monoaminas e de neuropeptídeos no sistema
nervoso central, causando profundas mudanças nas funções
neuroendócrinas. Inúmeras funções neurológicas, como
respostas visuais evocadas, condução nervosa periférica e
tempo de reação aumentam com um bom condicionamento físico,
enquanto que os níveis de beta-endorfina plasmática aumentam
no exercício aeróbico agudo. O treinamento físico também
pode diminuir o catabolismo das endorfinas, sendo possível
supor que as alterações nos níveis de peptídeos opióides
endógenos mediados pelo exercício físico podem causar
mudanças subjetivas e do humor do atleta, benéficas não
apenas na atividade física, mas no perfil psicológico do
individuo.
Corredores de maratona e atletas de outras formas de
exercício intenso aumentam os níveis de endorfina no
cérebro, criando uma forma de auto-gratificação interna ( "self-reward").
Isto faz com que o atleta treinado siga adiante ao atingir
um ponto máximo de cansaço, que leva todas as pessoas sem
treinamento a pararem por fadiga. Caso os atletas tomassem
café diariamente durante os treinos, na dose mínima de 4
xícaras, é possível imaginar que os ácidos clorogênicos do
café bloqueariam os receptores que são estimulados pelas
endorfinas, peptídeos opióides cerebrais. Isto faria com que
os neurônios do cérebro aumentassem sua descarga de
endorfinas para trazer o estímulo necessário para o atleta
prosseguir, atingindo a auto-gratificação num nível mais
alto. Atletas assim treinados, teriam um cérebro trabalhando
contra uma resistência a auto-gratificação. E quando esta
resistência fosse retirada, certamente este cérebro estaria
com uma maior capacidade de produzir a auto-gratificação.
Deste forma, atletas treinados consumindo diariamente café,
caso parassem de tomá-lo na véspera e nos dias de
competição, poderiam ter sua performance aumentada de forma
significativa, sem qualquer tipo de "doping ". Apenas
aumentando, além da capacidade dos músculos, a capacidade do
cérebro de prosseguir mais além.
REFERÊNCIAS:
1 - Lima,
D.R.: Café & Atletas , Jornal da ABIC, VIII, 95 , 26, 1999.
2 - Lima,
D. R. Cafeína e Saúde. Rio de Janeiro: Record, 1989. 130 p.
3 - Lima,
D. R. Cuidado!!! O popular café e a poderosa mulher... podem
fazer bem à saúde. Petrópolis: Medikka Ed. Científica, 2001.
111 p.
4 - Lima,
D. R. Manual de farmacologia clínica, terapêutica e
toxicologia. Rio de Janeiro: Medsi Ed. Científica, 2003. 3
Volumes, 3.456 p.
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